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TRAVESSIA

Trajecto:

O trajecto previsto para esta viagem é o seguinte:

(1) 05/11/2005 Angra dos Reis (Bracuhy) - Rio de Janeiro (Marina da Glória) - Brasil.
(2) 03/12/2005 Inicio da Travessia Atlântica | Rio de Janeiro - ANGOLA.
(3) 03/01/2006 Chegada a Namibe (ANGOLA) caso os ventos não sejam os favoráveis.-. (4) 07/01/2006 - 14/01/2006 Estadia em Luanda / Mussulo - Angola.
___15/01/2006 Inicio da Viagem de Regresso Luanda – Rio de Janeiro.
(5) 25/01/2006 Paragem na Ilha de St.ª Helena.
(6) 09/02/2006 Final Feliz com a chegada ao Rio de Janeiro (Marina da Glória) - Brasil.

Clique sobre a imagem para ver um mapa com os pontos de paragem, e calendário de chegadas e partidas previstos.

Quem quiser seguir a travessia mais de perto, também pode visitar o sítio http://earth.google.com e descarregar a versão gratuita do programa Google Earth. É um programa que utiliza imagens satelitais e em 3D para nos transportar aos lugares mais insólitos do planeta ou até a nossa própria casa, vista desde o céu. É importante lembrar que para aproveitar esta aplicação é necessário utilizar uma conexão rápida à Internet e um computador com bastante velocidade de processamento.
Para mais informações, visite: http://earth.google.com/support

Se já tem o Google Earth, venha navegar conosco; clique aqui para conhecer a localização do Mussulo hoje.

NOTA: O ficheiro basta ser descarregado para o seu computador 1ª vez, pois ele actualiza-se automáticamente de 18h em 18h.

 

Preparativos:

Quatro meses antes:

A organização tem que ser exemplar. Qualquer descuido a bordo pode ser o fim. A primeira preocupação a bordo é a segurança e a seguir segurança, e depois, segurança, onde se inclui a alimentação!

José Guilherme, sempre muito ocupado devido à sua profissão e investigações científicas, que o levam a correr mundo em conferências, aulas, congressos, nem por um momento abandona as preocupações com a viagem e sua segurança. Traz dos USA arnês, sapatilhas para usar a bordo, roupa de tempo, parafusos, cabos, pilhas e carregador das ditas, transformador para usar os 12V de bordo no computador, cartas náuticas em papel e eletrônicas, outras que se encomendam em Portugal, nos USA e em Inglaterra, novo sistema de vento para substituir o atual, meio avariado, segundo leme automático e um monte de outros pequenos, médios e maiores itens que, quando começar a navegação, não se encontrarão à venda em nenhum supermercado no meio do Atlântico.

Conferir roupa de tempo, já providenciada, ensaiar arneses de segurança, inspecionar detalhadamente cada canto, voltar a medir os depósitos de água e combustível para nos certificarmos das suas capacidades, encomendar e instalar a balsa salva-vidas obrigatória, tirar do barco tudo aquilo que só serve para passeios de fim de semana e começar a determinar locais para arrumar os aprovisionamentos, roupas, primeiros socorros, livros e material de leitura e diversão, indispensável para quem vai passar tanto tempo confinado em tão diminuto espaço, e etc., e mais etc. começa a competir ao restante da tripulação.

Na troca de idéias gerais sobre itens em geral e segurança em particular, constata-se que quase tudo está já previsto, mas sempre novos detalhes vêm ajudar a completar aquilo que a experiência, sobretudo dos grandes veteranos, nos ensinam. Um deles é que as prateleiras, abertas, dentro da cabine, são ideais para constantemente se andar a apanhar aquilo que a ondulação mais forte teima em derramar pelo chão, pela mesa de navegação, camas, etc. Há que engendrar um sistema prático, simples, que as feche, ou segure o que nelas tiver que ser guardado. Estabelecer um check-list completo.

Cabendo ao Francisco o papel de cozinheiro e “provedor de proteínas” da tripulação, sabendo ainda que a geladeira de bordo não vá a funcionar porque exigirá grande consumo das baterias, e estas do motor, que não teria autonomia para 30 dias com todo o equipamento ligado, e sabendo ainda que há que levar sempre ligados o rádio e mais outros instrumentos de navegação, a composição do cardápio ficou mais difícil.

Começa então a procura de tudo o que pudesse estar pronto ou semi-pronto, embalado, sem necessidade de refrigeração! O Francisco leva para casa e experimenta. O que é bom fica na lista, o resto esquece. (Ver o aprovisionamento ).

Aparece entre tanto o ovo em pó! Coisa estranha. Ensaia-se e obtém-se uma maravilha. Fazem-se omeletes iguaisinhas às dos mestres espanhóis! Podemos até chamar-lhe “tortillas”!

Selecionados os produtos, o Francisco estabelece o cardápio para cada dia de navegação, determina as quantidades a levar, transforma tudo em moeda e apresenta contas à equipa.

Contamos com o apoio da fábrica do Grupo Parmê, proprietária de uns quantos restaurantes e pizzarias no Rio, que nos recebeu com o sorriso e o abraço de sempre, e se mostrou logo entusiasta do projeto.

Ali fomos procurar o tal ovo em pó, fécula de batata e outros produtos normalmente só encontrados em indústrias, que se revelaram de extraordinária utilidade. E mais: ensinaram-nos a fazer pão! Isto, além de uns quantos outros produtos que tornaram a Parmê famosa no Rio. E até bidões de plástico usados, se mostraram indispensáveis e vão servir para aumentar a reserva de combustível, bem amarrados no convés do barco!

A agência de viagens, Pack-Tour de São Paulo, ofereceu-se para financiar os custos da viagem do Francisco, e ainda proporcionou a toda a tripulação um seguro de saúde para o caso de algum dos seus membros tenha que ser atendido em África.

Lembramo-nos, entretanto, de sugerir ao Prefeito da cidade do Rio de Janeiro que mandasse, por nosso intermédio, um “abraço” para os seus colegas das cidades a visitar: Namibe e Luanda. O Prefeito, eng° César Maia, gostou da idéia, interessante e, de imediato, providenciou, na forma de um belo livro, o “abraço” para os colegas da “outra banda do rio”, que já deste gesto avisados nos aguardam com interesse!

Um dos pontos de maior relevância numa viagem por mar, mesmo que seja só ao longo da costa, é ter atempado conhecimento da meteorologia, suas previsões, condições do oceano, etc. Pensamos que o melhor de todos os apoios só poderia vir do Centro Hidrográfico da Marinha do Brasil, a quem através de amigos recorremos. Afinal a sua capacidade de informação meteorológica está muito limitada à costa, imensa, do Brasil e até pouco mais do que o meridiano 20W. A partir daí, e não só, haverá que recorrer às informações emanadas de Cape Town e às que esperamos receber de uns quantos rádio amadores do Brasil e outros países porque tem sempre gente neste campo a querer, e ser, prestável, interessada, de uma ajuda imensa.

Quarenta e cinco dias antes:

Ainda há detalhes por definir, amigos que queremos encontrar em Angola que não foram localizados, há, enfim, um imenso trabalho pela frente.

Houve que dar um reparo na genoa e vela grande e, sobretudo receber com honras a nova “grande” oferecida, que leva o logotipo da “First Line - Medical Devices” e seu em breve futuro produto “Pioneer”, produtos de complexa explicação e aplicação, coisa que só o nosso capitão e professor doutor sabem o que o são.

Para verificar a sua feitura e qualidade veio a bordo o fabricante, Jorge Chileno, e ainda para ajudar a envergá-la.

O barco também irá ao estaleiro para ser limpo e inspecionado, e de Bracuhy ir depois para o Rio onde será feito todo o aprovisionamento.

Um mês da largada:

O barco sobe ao estaleiro para um “check-up” de casco, leme, estai (brandais), enrolador de genoa e melhoria no sistema de rizos.

O leme estava com alguma folga, houve que providenciar dois apoios novos, que, neste modelo de FAST 395 são já de nylon e não do complicado sistema de roletes. Remonta tudo, acaba de instalar o novo, e esplêndido rádio, um IC706MKIIC, respectiva antena cujo comprimento foi muito discutido, mas acabou por ficar com o máximo possível, entre o topo do mastro e a parte superior da targa: cerca de 12m. Na altura de embarcarmos em Bracuhy para trazer o barco para o Rio, o estai não estava fixado e acaba-se por descobrir como fixá-lo e tensioná-lo. Montam-se os cabos dos rizos e finalmente, sem vento, dá-se a partido ao motor e não funciona nenhum dos equipamentos: sonda, velocímetro, leme automático. Abre-se o painel, mexe daqui e ali! Pronto. Revisão rápida e final; largam-se as amarras e parte o Mussulo da região de Angra.

Navegação cautelosa, dentro da baía de Angra, sem vento. Ao entrar no mar aberto, mar chão, levanta-se uma brisa boa. Subimos as velas e, sem motor, o nosso “Mussulo” canta entre 7 a 9 nós. Dura até São Conrado, quase ao Leblon. Por fim, a motor, entramos na baía da Guanabara e chegamos à Marina da Glória, que nos considerou convidados especiais! Gesto simpático e bonito!

Durante essa viagem, o rádio não funciona. No dia seguinte pedimos mais uma vez socorro ao Aldir Muniz, rádio amador, PY1AMB. Simpático sempre e muito prestável, entra no barco, olha e vê logo um erro de instalação: parte da antena, abaixo do isolador entrava no casco dentro dum tubo de aço da targa! Conclusão tem que se alterar a instalação da antena. Pede-se ajuda na Marina. O Sérgio Meirelles, diretor da Marina, igualmente prestável e simpático, chama um técnico de rádio para “dar uma olhada”. Findou o dia.

No dia seguinte chegam os técnicos, José Carlos e Wilson. Olham, vêem, mexem e nada. “Tem que se alterar a posição do acoplador”, e para tal vieram dois eletricistas da própria Marina: Chevette e Jorge. Jorge, boa praça, cutuca, mete bem a cabeça lá dentro e acaba por verificar que do acoplador saía um cabo cinza e no rádio entrava um preto! “O cabo tem emenda?” - “Não deve ter”. Trocam-se as antenas, entrando no rádio nas posições corretas e o rádio funciona! Que alívio.

No entanto à segunda chamada o disjuntor não agüenta e desliga. O disjuntor era do antigo rádio VHF, fraco, de curto alcance. Este, novo, com potência de saída de 100W consome 20A. Solução: trocar o disjuntor. Parece fácil só que não se encontra no mercado local aquilo tipo de disjuntor e tem que se fazer uma pequena alteração. Aproveita-se e instala-se um dissipador de calor, igual ao dos computadores.

Volta a bordo o nosso amigo PY1AMB. Ele não desiste até deixar tudo a funcionar na perfeição. Chama colegas rádio amadores pelo Brasil fora, sem referir que são amigos porque todos formam uma espécie de irmandade sempre disposta a colaborar, entre eles seu pai, mas o sinal continua fraco! A antena dentro do tubo! Passa-se por fora e resulta!

Volta o Jorge e completa a instalação. Quase já podemos largar as amarras! Uf!

Mas, no domingo seguinte vem o capitão de São Paulo. A idéia é conferir e sair um pouco para “sentir” o barco e ensaiarmos o rádio. Não conseguimos subir completamente o grande. Faltaram uns 15 cm. No dia seguinte tem que se ver o que se passa.

À saída da Baía da Guanabara, dia quente, vento fresco, talvez 20 nós - a estação de vento ainda não chegou! - o barco faz entre 8,7 e 9,3 nós. Balouça bem, se inclina até quase 40°, o Francisco no leme sente que por mais de uma vez este emperra. Naquela situação a coisa era complicada. Na hora prevista para ensaiarmos o rádio com o “professor” Muniz, foi indispensável entrar na cabine. Muito abafado, uma inclinação média de 30°, o que é demasiado incômodo, a comunicação pelo rádio foi muito boa.

Volta à Marina. Vamos ensaiar novamente subir a vela grande. Não sobe tudo. Agarra na cadeirinha, que o capitão decididamente enverga e vá de subir a adriça. Nada se encontra de errado. Parece que o problema é simplesmente passar um pouco de silicone líquido nos carretos.

28 dias da largada:

Mais uma saída, desta vez social, com quatro convidados a bordo, só atravessar a Baía, fundear em Niterói, fazer o churrasco em que o capitão é mestre e regressar.

Ao manobrar para pegar uma bóia emprestada num clube, o leme prende de novo, força um pouco e ficamos sem leme! Corre o capitão e verifica que ficamos somente com o leme automático!

Regressar à Marina, vento agradável pela popa. Arreiar as velas e agora atracar de popa num exíguo espaço, cheio de poitas pela frente, só com o leme automático, tem que ficar a cargo do capitão. O mais experiente! Ensaia, falha, ensaia, falha, ensaia, falha, ensaia e finalmente acerta! Hurrah, para o capitão!

Agora chamar técnicos para reparar o leme, verificar a subida do grande e esperar que tudo fique pronto rapidinho e sobretudo bem seguro.

O aprovisionamento

Estabelecer cardápio e calcular o que cada um vai comer durante a viagem, não contando muito com reabastecimento em Angola, nem podendo carregar o barco para “dar a volta ao mundo”, foi coisa de dar a volta à cabeça. Como é evidente houve que recorrer a uma nutricionista.

Assim se começaram a fazer contas, não científicas pelas calorias, proteínas e hidratos de carbono, mas pelo que o estômago de cada um normalmente comporta, dando-se uma folga de conveniente atendendo ao “imenso esforço” físico que o ar do mar vai exigir! Ninguém desconhece que o ar do mar abre o apetite, e esse é um fator a levar em conta, tanto mais que o “levantador oficial das velas” já de si tem uma considerável capacidade de ingestão!

Dividimos tudo em diversos setores para não nos perdermos:

Frutas: Laranjas, maçãs, tangerinas, bananas, mangas, melão, limão para tempero e, quem sabe, uma ou outra caipirinha em dia de calmaria, que pedimos a Deus não nos dê, mas que devemos tomar com os nossos anfitriões lá em Luanda, banana desidratada e outros frutos secos, e qualquer coisa mais.

Legumes: Só para os primeiros dias algumas folhas e, sobretudo, batata in natura e em flocos, cebola, alho, tomate, além dos enlatados - ervilhas, salada de vegetais, tomate em polpa e concentrado e palmito.

Proteínas: Nos cereais - aveia, gérmen de trigo, flocos de proteína de soja - feijoada em latas, assim como feijão preto, grão de bico, presunto, um pouco de carne seca (leva um tempo infinito a cozinhar), bacalhau, atum em conserva, almôndegas com molho, molho à bolonhesa, ovos in natura e em pó, leite, creme de leite, chouriços e presunto cru, alguns patês, pasta de amendoim, e aqui se podem incluir iscas, anzóis e linhas na esperança de apanharmos, em alto mar, alguns peixes distraídos ou curiosos, que serão uma variante magnífica.

Carboidratos: Arroz, farinha de trigo, de mandioca, e de rosca, o pão ralado dos portugueses, massas de diversos formatos, batata palha pronta e embalada, pão, além da farinha e fermento para brincar de padeiro em dias mais tranqüilos, a tradicional farofa, já pronta.

Reforços e diversos: Barras de cereais, chocolate, molhos diversos embalados, açúcar, chá, café, cacau, geléias, biscoitos industriais e caseiros, mel, queijos diversos e pudins para os gulosos.

Gorduras e temperos: Azeite, óleo de soja e de dendê, banha, um pouco de manteiga para os primeiros dias, sal, jindungo, o piri-piri ou pimentinha, alguns champignons, salsa e coentro desidratados e vinagre.4

Bebidas: A bordo é pouco recomendável o uso de bebidas alcoólicas, mas sempre vem um dia de festa ou mesmo sem festa, que festa teremos no destino, mas sobretudo sucos de frutas, água de coco, alguma Coca-Cola (não é propaganda mas pode ser útil!), alguma dose -boa- de cerveja, umas garrafas de vinho, whisky e a cachaça para brindar com os amigos.

 

Notícias:

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Mussulo: Abraço à vela
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